domingo, setembro 25, 2005

ENSINAR PALAVRAS DIFÍCEIS


"Sou professora de Biologia no ensino médio e gosto de tornar as aulas divertidas sempre que possível, o que é bom para mim e para os alunos, já acostumados com meus improvisos.
Outro dia, trabalhando com taxonomia de algas protistas, cujos nomes os alunos em geral têm dificuldades de lembrar, resolvi inventar algo para facilitar sua memorização pelos alunos. Os nomes eram:

1) Euglenófitas - Exemplo: euglena
2) Pirrófitas - Exemplo: dinoflagelados
3) Crisófitas - Exemplo: diatomáceas

Para "euglena", interpretei:
A índia se apresenta ao cara-pálida (brando), bate a mão no peito e diz:
- Mim Glena.
Ao que o cara-pálida conserta:
- Mim, não. EU.
- OK, Eu Glena.

Para "pirrófitas", fingi que espirrei e emiti o som "espirrófitas!".

Para "diatomáceas", novamente a atriz:
Duas amigas do interior de Minas se encontram:
- 'Dia, Tomácea.
- 'Dia! Cris, ó fita cocê mimprestô!
Horríveis? Sim, mas os alunos agora lembram dos nomes, a partir da associação que fizeram (e dos risos, certamente).

Uma das alunas comentou: "Acho que nenhum dos alunos vai esquecer esses nomes, é um jeito bobo de aprender, mas o efeito é bom. Só as pirrófitas é que acho que vão confundir na prova e escrever "espirrófitas".
Ana Luisa Miranda Vilela (Brasil)

quinta-feira, setembro 22, 2005

OS 10 ERROS MONUMENTAIS

DA ESCOLA ACTUAL


Preocupa-me cada vez mais o rumo que o sistema de ensino actual está a tomar. Aumentam as horas de presença dos alunos nas escolas, aumenta o número de matérias, aumentam, na verdade, os problemas. Ou seja, mais escola, o que não significa melhor escola.

Não tenho bem a certeza mas suspeito que os responsáveis pela Educação perderam claramente o controlo da situação. Talvez eles próprios não o saibam mas observando as decisões tomadas nos últimos anos fica mesmo a impressão que andam a remendar o que já não pode ser resolvido senão através de uma reforma integral do Ensino.

Desde 2001 que cerca de 11 mil professores já assistiram às minhas acções de formação e palestras em todo o País. E, pelo menos estes milhares, sabem o que eu penso sobre este assunto.

Urge uma escola diferente não apenas do actual modelo mas também diferente da maioria dos modelos alternativos que têm sido ensaiados um pouco por todo o Mundo pois não preveram a sociedade que iriamos tecer no século XXI.

Vivemos numa época completamente diferente daquela em que a escola actual foi criada. Por causa disso, o ensino massificou-se em demasia, adensou-se, está obsoleto e não tem em conta as necessidades efectivas da sociedade contemporânea.

Não basta encher as escolas de computadores para desde logo se acreditar que a escola modernizou-se. Pode modernizar-se nos equipamentos mas continua desfasada da sociedade em que agora vivemos: uma sociedade muito complexa, ambígua, de acontecimentos efémeros, devoradora de convicções e um pouco louca.

Necessitamos de uma completa transformação dos conteúdos, das matérias, das cargas horárias e dos métodos de ensino.

A inteligência das nossas crianças está a ser castrada e é por isso que aumenta o insucesso escolar. Há uma subtil manipulação das mentes dos nossos filhos sem que os próprios professores tenham disso consciência. Até mesmo as crianças sobredotadas sentem que a escola não lhes favorece o pleno desenvolvimento das suas potencialidades.

A formação dos professores é exígua, pouco humanista e assenta sobre métodos pedagógicos em geral obsoletos. Muitos professores têm-me confessado que não sabem nada sobre "inteligências múltiplas", "estilos cognitivos", "mapas mentais", "sobredo tados"e tantas coisas mais que são hoje em dia fundamentais para um ensino ajustado aos novos tempos.

No modelo de escola actual, ainda muito prisioneiro da revolução industrial dos séculos XIX e XX, há numerosos erros que não hesito em destacar.

Assim, o ensino que é fornecido aos nossos filhos, assenta naquilo que eu chamo de "os 10 erros monumentais" do sistema actual:

1 - não educa para a autonomia do pensamento;
2 - inibe o pensamento criativo;
3 - institui o medo de errar;
4 - promove a submissão intelectual às crenças vigentes, incluindo as científicas;
5 - insiste num único tipo de pensamento: o lógico-matemático;
6 - exclui o aluno dos processos de construção do conhecimento;
7 - ignora as inteligências múltiplas do Homem;
8 - apela à aprendizagem pela memorização pura e simples;
9 - reforça a "autoridade" do professor como "mestre" detentor da Verdade;
10 - limita o crescimento do EU.

Para quando a coragem para iniciarmos uma verdadeira revolução educacional?

segunda-feira, setembro 19, 2005

GORDURAS PREJUDICAM APRENDIZAGEM


Está confirmado: as gorduras que actualmente as crianças ingerem na sua alimentação diária podem comprometer seriamente a função cognitiva e, consequentemente, as aprendizagens escolares.

Não é apenas a obesidade em si mesma que é prejudicial ao organsimo. Até as crianças magras, que habitualmente comem também muitos produtos saturados de gordura, são susceptíveis de acusarem dificuldades de concentração, raciocínio e memória devidas aos desequilíbrios alimentares.

As gorduras saturadas (que aparecem, por exemplo, nas margarinas, nos bolos, etc) fazem com que os neurónios tenham mais dificuldade no seu trabalho e possam muitos deles ser eliminados devido à produção de radicais livres (substâncias tóxicas que conduzem ao envelhecimento e à morte das células).

Os pais e as escolas devem ser rigorosos na dieta dos alunos. Os excessos de gordura (e não apenas de obesidade) prejudicam o cérebro, lentificam as funções cognitivas e dificultam as aprendizagens.

Uma alimentação equilibrada, com muitos vegetais, água, peixe e alguma carne, deve ser, durante todo o ano lectivo, a dieta daqueles que querem ter sucesso na escola. Para além disso, uma actividade física regular, horas limitadas nos jogos electrónicos e uma agenda bem organizada de actividades, são a base para qualquer esforço intelectual bem sucedido.

Os professores devem alertar os alunos desde a primeira hora para a importância destes factores. E os pais devem estar atentos à situação (para saber mais sobre esta matéria consultar o blogue do Instituto da Inteligência em
www.neurofitness.blogspot.com).

quarta-feira, setembro 14, 2005

UM DESAFIO AOS PROFESSORES


O papel do professor tem sido, por vezes, comparado ao de um actor que sabe o seu papel e o apresenta diariamente na escola aos seus alunos. Esta é, obviamente, uma visão redutora. O professor não pode ser um actor que se limita a repetir matérias que aprendeu. Seria um desastre.

O professor é um mediatizador, isto é, ele age entre o aluno e os novos conhecimentos que se deseja que ele integre através das suas capacidades de raciocínio e compreensão. É que o aluno também não pode ser um actor que se limita a memorizar matéria e a reproduzi-la, com a maior fidelidade possível, na sala de aula e nos testes. Isso também seria um desatre.

Infelizmente é aquilo que mais se vê nas salas de aula. Os alunos são praticamente convidados a fixarem as matérias e a papagueá-las de seguida. Estão os professores preparados para conduzirem os alunos a altos níveis de raciocínio para chegarem à "aprendizagem significativa"? (aquela que o aluno adquire através do seu próprio esforço de pensamento e não apenas usando a memória).

Auxiliar os alunos a pensar deve ser a principal tarefa dos professores. Isso é seguramente uma estratégia muito inteligente. Pois é pensando que os alunos podem aprender usando as suas próprias potencialidades, procedimentos e ritmos.

O psicolinguista Frank Smith, doutorado pela famosa Universidade de Harvard, é peremptório: "As crianças têm um cérebro primorosamente eficiente que usam com inconspícua competência para aprender coisas acerca do mundo, da cultura e da estrutura social, bem como a língua no seio da qual nascem, em grande parte sem qualquer espécie de instrução formal". Isto quer dizer que qualquer criança normal tem excelentes capacidades de raciocínio e de aprendizagem.

O problema está em que o sistema de ensino, tal como foi modelado pelas sucessivas reformas, impede o pleno aproveitamento das potencialidades de pensamento e aprendizagem da maioria dos alunos.

Assim, os professores devem urgentemente adquirir competências para poderem ajudar os alunos a aprender através dos seus próprios raciocínios e com a máxima autonomia. Será através de um espécie de diálogo entre a mente dos professores e a mente de cada um dos alunos que deverão ser construídos os novos conhecimentos destes. Os professores não podem ser apenas transmissores de saberes. Têm de ser como uma espécie de agitadores das muitas mentes que os rodeiam na sala de aula desafiando, provocando, incentivando o raciocínio, a reflexão e a criatividade dos alunos.

Existem muitas formas de pensamento. Para além da analítica, existem outras tais como o pensamento crítico, o pensamento exploratório, o pensamento criativo, etc.

Será bom que os professores se informem sobre as diferentes modalidades do pensamento disponíveis na mente humana para que as possam solicitar criteriosamente na sala de aula conforme a natureza e os objectivos de cada matéria ou disciplina.

De facto, salvo alguns elementos muito precisos (nomes, datas, etc) que requerem memorização, a maioria dos saberes que os alunos devem dominar adquirem-se utilizando os vários recursos do pensamento.

sábado, setembro 03, 2005

O NOVO ANO LECTIVO

Em Setembro recomeçam as aulas para a maioria dos alunos. Muitos outros, porém, vão pela primeira vez entrar numa escola. Será o início de uma longa caminhada onde não faltarão bons e maus momentos. Será sempre um período caracterizado por expectativas, novidades e descobertas mas também por muitas decepções, incertezas e aborrecimentos. As exigências serão grandes não só para os alunos e os professores como também para os pais.

Ir para a escola é algo fantástico na nossa vida pois é ali que poderemos, de forma metódica, enriquecer a nossa mente com novos saberes e novas experiências. Por muito desinteressantes que as matérias nos pareçam (e às vezes, são mesmo desinteressantes) a escola dá-nos instrumentos fabulosos para elevarmos a nossa inteligência e alargamos os horizontes da nossa consciência. Todo esse esforço pode também ser de grande valia para tornar o nosso modo de pensar mais ágil e mais estruturado.

De facto, à medida que vamos conhecendo a geografia, a história, as operações de cálculo e tudo o mais que a escola propõe não apenas enriquecemos a nossa cultura geral como ao nível do próprio cérebro ele torna-se muito mais eficiente. Ao associarmos os novos conhecimentos ao treino do raciocínio ficamos mais inteligentes. E isso é algo que ninguém pode desprezar, não acham?

Bem, preparem-se psicologicamente. A atitute que adoptarem nos primeiros dias de aulas vai ser muito importante. Entrem com confiança no ano lectivo, organizem o vosso material, participem desde o primeiro dia e, mais importante ainda, não comecem a adiar as coisas. O que eu quero dizer é que, habituados ao tempo das férias, perdemos o ritmo e agora vai custar um bocado a acertar o passo com os horários, as primeiras aulas, etc. Por isso, façam um esforço para se manterem atentos, tomem as vossas notas e não deixem de rever as matérias e de começar a estudar mal os professores acrescentem assuntos novos. É que, se assim não for, começam a atrasar tudo e depois fica difícil a recuperação. Não se esqueçam que a qualidade do vosso desempenho nas primeiras semanas pode ser decisiva para o resto do ano!

HORA DO CORREIO

Desde que este blogue foi divulgado, nomeadamente na imprensa, recebi inúmeros emails com sugestões e perguntas.
Destas seleccionei algumas que passo a responder.

Problemas de concentração

- Tenho um filho com 9 anos (António) que é muito desatento na sala de aula. A professora queixa-se que ele distrai-se com qualquer coisa. Que posso fazer?"
Maria Antónia, Funchal.

- Infelizmente, a falta de atenção na sala de aula é um problema que atinge inúmeros alunos. São muito os factores que podem concorrer para isso. Temos de pensar que as turmas, em geral, são muito grandes (ultrapassando, por vezes, os 20 alunos por sala) e isso não só dificulta o trabalho do professor como a concentração daqueles que estão verdadeiramente interessados em aprender. As aulas também são longas, o que piora as coisas.
Na maior parte dos casos de desatenção constante, o problema tem origem na falta de interesse suficiente por parte do aluno. Não havendo envolvimento afectivo com as aprendizagens, os alunos não têm motivação.
Promover a motivação tornando as matérias apetecíveis depende do professor, do seu estilo de ensinar, das suas estratégias, dos materiais que utilizar e do seu próprio interesse. Um professor apaixonado pela sua área de ensino pode ser muito mais eficaz (e competente, por conseguinte) do que um professor que apenas "despeja" a matéria, cumpre a agenda do dia e vai-se embora.
É evidente que também não podemos ignorar que a falta de atenção também pode ser provocada por outro tipo de problemas. Por exemplo, os alunos com hiperactividade sofrem de défice de atenção. Os alunos com problemas familiares e emocionais também podem andar longos períodos com falta de concentração nas aulas.
O António é também distraído noutras situações fora das aulas? Ou é só nas aulas? A sua resposta eliminará uma série de hipóteses e é meio caminho andado para a solução do problema. Faça um estudo...atento do caso e procure ajuda especializada, se necessário.

É possível ter-se medo de aprender?

- "Tenho a impressão que o meu filho tem medo de aprender. Acho isso muito estranho mas já ouvi dizer que isso acontece com algumas crianças pequenas. É verdade?"
Rosália Silva, Braga.

- É verdade. O tema tem sido objecto de estudo por vários especialistas. Eles descobriram que o medo de aprender pode ter distintas explicações que variam de caso para caso.
Em geral, afecta crianças pequenas numa percentagem que, embora reduzida, não deve ser desprezada. Muitas crianças que manifestam medo de ir às aulas ou grande desmotivação em aprender têm, na verdade, medo de aprender. Parece estranho que se tenha medo de aprender mas compreende-se se observarmos o "porquê" desse receio.
Uma das principais causas resulta da sensação de fracasso escolar que uma criança experimente nos seus primeiros contactos com as aulas. Se ela se sentir impotente para compreender o que, afinal, esperam dela na escola, se ela for recriminada por estar a ter dificuldades nas primeiras aprendizagens ou se se sentir desamparada e "sozinha" com os seus problemas é altamente provável que desenvolva o tal medo de aprender. E porquê? Porque quanto mais matérias novas ela for aprendendo mais fica exposta e isso aumenta a sua sensação de vulnerabilidade. Então o "aprender" torna-se - para a criança - numa aventura carregada de angústias. A única saída que ela vê é "fugir" desse pesadelo, o que a faz entrar em desespero (com toda a panóplia de problemas psicossomáticos como a enurese nocturna, a perda apetite para comer, o aparecimento súbito de outros medos, a instalação de fobias, etc.).
É evidente que o medo de aprender pode ser devido ao seu modo de funcionamento psíquico, o qual pode, por alguma razão, estar perturbado ou desorganizado. Experiências traumáticas precoces e sofrimento emocional continuado (perda de um dos pais, divórcio dos pais, castigos, etc) concorrem para provocar o medo de aprender, de andar na escola e até, por vezes, o medo de viver.
Quando os problemas são simples, uma mudança de atitude por parte do professor e dos pais pode ajudar a ultrapassá-los. Mas se as coisas se apresentarem difíceis, então deve-se procurar, urgentemente, ajuda especializada.


Uma falha da memória?

- "Sempre tive dificuldades de aprendizagem. Custa-me memorizar as matérias e quando o consigo, é frequente esquecer-me, sobretudo nos testes. Será que sofro de algum problema no cérebro?"
Júlio S. Jardim, Castelo Branco (14 anos).

- Acho que não tens nenhum problema no cérebro pois, por tudo o resto que me contaste no teu email, a impressão com que fico é de que neurologicamente estás bem.
Vamos lá pensar. Dizes que sempre foste uma aluno sofrível, sem muito interesse pela escola. Ora bem, quando não há interesse é difícil a gente agarrar-se às coisas. Mas isso também pode ter uma outra explicação: falta de organização e método.
Não se pode esperar ter êxito quando só se estuda quando nos apetece (e isso pode acontecer poucas vezes). Júlio, o que queres ser na vida? Contaste-me que gostas de aviões. Talvez queiras vir a trabalhar no mundo da aviação. Admitamos isso como uma hipótese. Ora bem, para te tornares num técnico (piloto, navegador, mecânico ou engenheiro aeronáutico, por exemplo) terás de preparar um percurso, uma trajectória de vida. Ou seja, tens um projecto, precisas de um plano de execução. Não é assim? Tens de aprender o que te ensinam na escola para poderes ir avançando de ano e chegares a uma escola superior ou a um curso técnico-profissional especializado.
Então o aprender é um meio, não um fim em si-mesmo. Os livros são as ferramentas e os professores são os orientadores.
Precisas, de seguida, de organizar-te. Tens de estabelecer regras e uma agenda de trabalho. Estudar resulta mais fácil quando temos as coisas planificadas. Se estiver tudo muito caótico, perdes a vontade de te esforçar.
Às vezes eu costumo dizer que, quando não se gosta muito de estudar, devemos estabelecer uma ideia do tipo de futuro que queremos para nós. Isso costuma ajudar-nos a ganhar motivação, sobretudo para enfrentar as matérias que menos nos agradam.
Estudar é uma forma intencional de se aprender. Estudar não é só ler os manuais. É também ouvir os professores, conversar com eles, pesquisar, etc. Nem toda a gente sabe estudar e por causa disso fracassa-se com muita frequência.
Neste site vou apresentar brevemente dicas para se aprender com mais facilidade e motivação. Isso será útil para ti. Vai visitando esta página regularmente.


Hiperactividade ou não?

- "A professora diz que o meu filho é hiperactivo e não pára um segundo na sala de aula. Todavia, é um aluno com um aproveitamento médio e em casa não acho que seja tão hiperactivo como a professora faz crer. Que devo fazer?"
Ermelinda Gomes da Silva (Guimarães)

- Nos últimos tempos tem-se ouvido falar muito das crianças hiperactivas e qualquer uma que tenha um comportamento mais irrequieto do que os colegas é facilmente rotulada como hiperactiva.
A hiperactividade infantil atinge, todavia, apenas uma percentagem de 3 a 5% das crianças com menos de 10 anos de idade (geralmente rapazes). O que quer dizer que a maioria das crianças irrequietas não são obrigatoriamente hiperactivas.
Os professores desejariam ter alunos pacientes, sossegados e bem comportados. Mas isso é difícil de conseguir e a maioria das crianças saudáveis são simplesmente muito activas e mexidas.
Não obstante, comparada com outras perturbações, a hiperactividade infantil é a mais vulgar. E não é um problema dos nossos dias pois foi pela primeira vez descrita há cerca de 150 anos.
Costumo dizer aos pais de uma criança supostamente hiperactiva que uma forma de se verificar que a perturbação está instalada é observar o comportamento dela não apenas num determinado lugar e situação mas igualmente noutros locais e ambientes.
Há crianças muito irrequietas em casa e que na escola se comportam relativamente bem e o contrário também ocorre. Esquecemo-nos frequentemente que o stress também afecta as crianças de todas as idades. Imagine-se uma sala de aula onde existem 20, 25 ou 30 alunos (situação frequente por esse país fora) e um professor. Raros são os casos em que o barulho, as conversas e as distrações não façam parte do ambiente da sala gerando um grande stress, nomeadamente no próprio professor.
A hiperactividade não pode também ser confundida com maus comportamentos ou comportamentos desajustados às situações. Há crianças desordeiras, há crianças muito desobedientes, há crianças desinteressadas do que se passa na aula , há crianças com perturbações afectivas e desassossegadas que aos olhos de um leigo pode ser vista como hiperactiva.
A principal perturbação das hiperactivas é o défice de atenção e não o excesso de movimentos ainda que a sua actividade motora se revele incessante e sem nenhuma finalidade. O seu comportamento é, em regra, totalmente imprevisível ou inapropriado para o local ou a situação em que esteja inserida.
Um médico especialista ou um psicólogo pode esclarecer as dúvidas já que existem critérios rigorosos de diagnóstico que determinam os sinais que devem estar presentes quando se está perante um caso de hiperactividade.
Por outro lado convem dizer que nem todas as crianças hiperactivas manifestam todas as características consideradas típicas da perturbação. Diferem de umas para outras embora alguns sinais "devam" estar presentes.
Vejamos a lista de características das crianças hiperactivas segundo dois especialistas: os doutores Aquilino Polaino-Lorente (doutor em Medicina e catedrático na Universidade Complutense de Madrid) e Cármen Ávila (doutora em Ciências da Educação formada naquela mesma universidade), autores do livro Como viver com uma criança hiperactiva (Edições Asa, 2004):
- têm problemas para se concentrarem numa tarefa durante longos períodos de tempo;
- distraem-se com facilidade;
- têm problemas para seguirem as directrizes que lhes sugerem;
- não terminam as actividades que começam;
- actuam antes de pensar;
- necessitam de mais controlo do que as outras crianças;
- perturbam as aulas;
- nas brincadeiras não são capazes de esperar pela sua vez;
- passam de uma actividade para outra sem concluirem nenhuma;
- perdem facilmente coisas;
- respondem às perguntas antes destas terem sido concluídas;
- lutam por tudo e por nada;
- não medem o perigo do que fazem;
- são inoportunas quando estão em grupo;
- esquecem-se do que têm de fazer (não prestam a devida atenção);
- falam excessivamente;
- são desordenadas e desorganizadas.
Ora bem, aqui chegados tenho de alertar para o facto de também existirem crianças que, não sendo hiperactivas, sofrem de défice de atenção. Geralmente revelam-se passivas e não sabem defender-se das agressões dos outros, são do tipo "cabeça no ar", frequentemente são inibidas e distraem-se facilmente. O seu problema é o défice de atenção. Diz-se então que sofrem de "défice de atenção indiferenciado".

(Agradeço aos pais e professores que tiveram a amabilidade de se congratularem com a existência deste espaço. Aproveito para anunciar dois outros espaços na internet que completam este APRENDER É FÁCIL. São eles SOBREDOTAÇÃO & TALENTO em www.mentessobredotadas.blogspot.com e NEUROFITNESS que pode ser visto em www.neurofitness.blogspot.com).

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA SALA DE AULA


O papel das emoções nas aprendizagens e nos relacionamentos dentro da escola exige que se devem "educar" as emoções e fazer com que os alunos também se tornem aptos a lidar com frustrações, negociar com outros, reconhecer as próprias angústias e medos, etc.

Para que os alunos desenvolvam sua inteligência emocional, uma das premissas básicas é a necessidade de que o professor também desenvolva sua própria inteligência emocional, pois, pode-se dizer que aquilo que o professor ensina em sua prática docente está embebido por sua própria personalidade. Desse modo, a inteligência emocional do professor é uma das variáveis que melhor explica a criação de uma aula emocionalmente inteligente.

Segundo Daniel Goleman: "emoções são sentimentos que se expressam por impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, acções e reacções. Quando trabalhados, equilibrados e bem-conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tornando-se, aí sim – virtudes."

Um princípio básico para o desenvolvimento da inteligência emocional na sala de aula é o respeito mútuo pelos sentimentos dos outros, e para tanto é necessário que o professor saiba como se sente e seja capaz de comunicar abertamente suas sensações e sentimentos. O professor não deveria negar suas emoções negativas e sim, ser capaz de expressá-las de modo saudável na comunidade que constrói com seus alunos.

Ensinar os alunos a reconhecer suas emoções, saber categorizá-las e comunicá-las, fazendo-se entender, ajuda-os a serem os responsáveis por suas próprias necessidades emocionais.

Conhecer os alunos é um processo que se inicia desde os primeiros dias de aula. Quanto maior for esse conhecimento, maior será a eficácia da acção pedagógica, pois pode-se então mobilizar interesses, curiosidades, conhecimentos prévios, aspectos das histórias de vida, articulando com os conhecimentos que integram o currículo a ser desenvolvido.

Também conhecê-los em seus aspectos sociais, cognitivos, afetivos e emocionais implica uma atitude de permanente investigação, por meio de observações, diálogos com as crianças e suas famílias, avaliação contínua dos conhecimentos adquiridos, sondagem dos interesses delas e atenção as necessidades que elas expressam.

Perceber o que o aluno sente, sem que ele o diga, constitui a essência da empatia, uma das características fundamentais da inteligência emocional. A criança e o adolescente, dificilmente, nos dizem em palavras aquilo que sentem, mas revelam seus sentimentos por seu tom de voz, pela expressão facial ou por outras maneiras não verbais.

A partir do momento em que o professor reconhece as emoções do aluno (medo, raiva, ciúme, alegria, tristeza, vergonha), cria uma enorme chance de aumentar a intimidade, transmitir experiência e compartilhar dificuldades.

O aluno passa a se sentir valorizado, legitimado em seus sentimentos (mesmo que negativos) e, conseqüentemente, fortalece sua auto-estima. Ele descobre novas estratégias para lidar com os conflitos, diminui a agressividade em suas relações com o outro, aprende a conviver de uma maneira confortável com os sentimentos negativos, enfim, ele transforma um sentimento que o assusta em algo que faz parte da vida, não censurando a si mesmo por seus sentimentos, mas sim, julgando a decisão do que fazer com estes mesmos sentimentos.

A escola deveria reservar tempo e espaço em seus programas para iniciar as crianças em projetos de cooperação. A participação de professores e alunos em projetos comuns pode dar origem à aprendizagem de métodos de resolução de conflitos e construir uma referência para a vida futura dos alunos, enriquecendo a relação professor – aluno.

A influência dessa teoria sobre a educação é altamente positiva, pois chama a atenção para o facto de que as escolas não devem preocupar-se apenas com a inteligência de cada aluno, mas também com o desenvolvimento de sua capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo.

Texto enviado por Mariana Gomes da Silva (Lisboa)