sábado, setembro 03, 2005

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA SALA DE AULA


O papel das emoções nas aprendizagens e nos relacionamentos dentro da escola exige que se devem "educar" as emoções e fazer com que os alunos também se tornem aptos a lidar com frustrações, negociar com outros, reconhecer as próprias angústias e medos, etc.

Para que os alunos desenvolvam sua inteligência emocional, uma das premissas básicas é a necessidade de que o professor também desenvolva sua própria inteligência emocional, pois, pode-se dizer que aquilo que o professor ensina em sua prática docente está embebido por sua própria personalidade. Desse modo, a inteligência emocional do professor é uma das variáveis que melhor explica a criação de uma aula emocionalmente inteligente.

Segundo Daniel Goleman: "emoções são sentimentos que se expressam por impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, acções e reacções. Quando trabalhados, equilibrados e bem-conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tornando-se, aí sim – virtudes."

Um princípio básico para o desenvolvimento da inteligência emocional na sala de aula é o respeito mútuo pelos sentimentos dos outros, e para tanto é necessário que o professor saiba como se sente e seja capaz de comunicar abertamente suas sensações e sentimentos. O professor não deveria negar suas emoções negativas e sim, ser capaz de expressá-las de modo saudável na comunidade que constrói com seus alunos.

Ensinar os alunos a reconhecer suas emoções, saber categorizá-las e comunicá-las, fazendo-se entender, ajuda-os a serem os responsáveis por suas próprias necessidades emocionais.

Conhecer os alunos é um processo que se inicia desde os primeiros dias de aula. Quanto maior for esse conhecimento, maior será a eficácia da acção pedagógica, pois pode-se então mobilizar interesses, curiosidades, conhecimentos prévios, aspectos das histórias de vida, articulando com os conhecimentos que integram o currículo a ser desenvolvido.

Também conhecê-los em seus aspectos sociais, cognitivos, afetivos e emocionais implica uma atitude de permanente investigação, por meio de observações, diálogos com as crianças e suas famílias, avaliação contínua dos conhecimentos adquiridos, sondagem dos interesses delas e atenção as necessidades que elas expressam.

Perceber o que o aluno sente, sem que ele o diga, constitui a essência da empatia, uma das características fundamentais da inteligência emocional. A criança e o adolescente, dificilmente, nos dizem em palavras aquilo que sentem, mas revelam seus sentimentos por seu tom de voz, pela expressão facial ou por outras maneiras não verbais.

A partir do momento em que o professor reconhece as emoções do aluno (medo, raiva, ciúme, alegria, tristeza, vergonha), cria uma enorme chance de aumentar a intimidade, transmitir experiência e compartilhar dificuldades.

O aluno passa a se sentir valorizado, legitimado em seus sentimentos (mesmo que negativos) e, conseqüentemente, fortalece sua auto-estima. Ele descobre novas estratégias para lidar com os conflitos, diminui a agressividade em suas relações com o outro, aprende a conviver de uma maneira confortável com os sentimentos negativos, enfim, ele transforma um sentimento que o assusta em algo que faz parte da vida, não censurando a si mesmo por seus sentimentos, mas sim, julgando a decisão do que fazer com estes mesmos sentimentos.

A escola deveria reservar tempo e espaço em seus programas para iniciar as crianças em projetos de cooperação. A participação de professores e alunos em projetos comuns pode dar origem à aprendizagem de métodos de resolução de conflitos e construir uma referência para a vida futura dos alunos, enriquecendo a relação professor – aluno.

A influência dessa teoria sobre a educação é altamente positiva, pois chama a atenção para o facto de que as escolas não devem preocupar-se apenas com a inteligência de cada aluno, mas também com o desenvolvimento de sua capacidade de se relacionar bem com os outros e consigo mesmo.

Texto enviado por Mariana Gomes da Silva (Lisboa)