quinta-feira, novembro 10, 2005


COMO A AUTO-HIPNOSE PODE AJUDAR NAS APRENDIZAGENS

Cerca de 98% da nossa actividade mental processa-se a níveis não-conscientes. À medida que um número crescente de organismos médicos e científicos de reputação internacional têm vindo a conferir à hipnose o estatuto de técnica terapêutica complementar da medicina e da psicologia (Associação Médica Americana, Associação Psiquiátrica Americana, Academia Real Britânica de Medicina, etc.) aumentam as pesquisas em torno das aplicações da hipnose noutros campos da actividade humana, nomeadamente na educação.

Sabe-se que os múltiplos processos mentais criados e mantidos pelo cérebro humano ocorrem em diferentes níveis situados entre o consciente e o inconsciente. A indução hipnótica pode facilitar o acesso aos vários níveis. A este propósito é interessante dizer-se que, em cada 24 horas, um adulto realiza cerca de 100 mil operações mentais em estado consciente e cerca de 60 mil desvios da atenção. Por baixo de todo este elevado número situam-se muitas outras operações não conscientes, seguramente em muito maior número.

Para que todo este trabalho mental se realize, o cérebro é alvo de cerca de 600 mil reacções químicas por minuto, consumindo, desta forma, cerca de 25% de toda a energia produzida pelo nosso corpo. Estudar e aprender são duas das grandes tarefas que as crianças e os jovens são obrigados, hoje em dia, a fazer. São, obviamente, tarefas que exigem numerosos requisitos tais como motivação, interesse, aplicação, capacidade de concentração, memória, criatividade, raciocínio e inteligência. Tudo isto implica um trabalho mental intenso, solicitando do cérebro grandes energias (orgânicas e psíquicas), de tal forma que, para uma aprendizagem com sucesso, é necessário um conjunto de condições indispensáveis a uma boa compreensão da matéria e o seu registo correcto no sistema de memorização.

Ora, nem sempre as melhores condições estão presentes quando se quer estudar com o máximo aproveitamento. Frequentemente, a concentração é dificultada por inúmeros factores (endógenos e exógenos), o raciocínio é perturbado por pensamentos intrusivos e desviantes e a memória, tanto na fase de registo como na fase de evocação (recordação) pode ser afectada por perturbações da atenção e da concentração, nomeadamente factores como a desmotivação, o cansaço, o stresse e a ansiedade, para não falar de muitos outros.

A hipnose, contrariamente aos mitos e às ficções produzidas pelas encenações televisivas, não é uma técnica indutora de um estado semelhante ao sono mas de um estado de hiperconcentração, podendo ser comparado a um processo de auto-controlo, quer da mente, quer do corpo. Este aspecto torna a hipnose num auxiliar terapêutico eficaz em muitas perturbações de foro afectivo, psicológico e orgânico. Com efeito, a hipnose é susceptível de afectar positivamente a percepção, a memória, a atenção, a criatividade, a associação de ideias e conhecimentos e a motivação, bem como a qualidade das emoções presentes nos momentos de aprendizagem.