quinta-feira, novembro 24, 2005

O DIRECTOR DE ESCOLA IDEAL


Educar consiste numa série interminável de pequenos aconte-cimentos, conflitos periódicos e crises repentinas que exigem respostas. O carácter se forma através de trocas com outras pessoas e de situações vividas. A educação do carácter, por sua vez, necessita de uma presença que demonstre e um contacto que comunique.

Exige atenção e dedicação educar pessoas de bem, seres humanos com compaixão, dedicação e valor, pessoas cuja vida seja guiada por um núcleo de força e uma idéia de justiça com objectivos humanitários.

Para os pais, a vida atarefada não é resultado de uma programação minuciosa e sim fruto da casualidade. O trabalho supõe maior "stress" e menor tempo para participar da educação que gostariam de dar aos filhos. Com frequência, ao estarem com eles, pensam no que deixaram por fazer ou no que vão continuar fazendo logo após. É difícil presença plena.

Em momentos como esses é importante entender que educar é um processo, não um produto final, nem sequer uma parada na autopista da vida. Os filhos passarão por várias etapas em distintas velocidades. O dever de pais consiste em assegurar-lhes que alcancem o objectivo real de converterem-se em adultos emocionalmente inteligentes com o menor número de acidentes possíveis. E isto exige técnica.

Regras, rituais e disciplina não valem nada a menos que a intenção que os impulsiona proceda de uma pessoa tenaz, carinhosa e flexível. Os pais necessitam de aliados. Como a escola, por exemplo.

E, na escola, os "cúmplices" na educação dos filhos: directores e professores. O doutor James Comer, educador e autor de "A la espera de un milagro: las escuelas no pueden resolver nuestros problemas, pero nosotros sí podemos", observa que nunca em toda a história da humanidade os jovens receberam directamente tantas informações sem passar pelo "filtro" dos adultos que cuidam deles.

Pais e educadores têm sérios competidores pela atenção dos filhos/alunos, e suas influências se vêem atenuadas por uma imensidão de mensagens que os animam a actuar e pensar de maneira distinta.

Pesquisas recentes comprovam que pais sentem-se à vontade com o "Director-Pai": quer dizer, um director que demonstre conhecer seus filhos, que saiba apreciar o positivo e encarar com perspectivas de melhora os aspectos que são motivo de preocupação.

Um director empático se interessa por detalhes, acentua atitudes positivas, o exemplo e interesse dos pais por seus filhos. Esse director, o tom desse director com dom de gente igual aos pais, é otimista, sem ser fantasioso; afectuoso, sem chegar a familiaridades desnecessárias; breve, sem demonstrar pressa ou múltiplas ocupações. Deixa a família falar, ouve, toma nota de decisões para resolvê-las o mais rápido possível. Um director que conhece essas particularidades e se situa na mentalidade e vida dos pais e alunos não os faz esperar milagres e sim acreditar que personalizar também é educar.

Fonte: Zero Hora - RS
Opinião de Mara Rozane Bettega Debus, administradora e consultora educacional.