segunda-feira, março 06, 2006

Dislexia pedagógica


Para psicólogos, psicólogos e educadores linguistas um dos gargalos para o diagnóstico e tratamento das dificuldades específicas de leitura, no ambiente escolar, reside na compreensão de conceitos básicos e operatórios como dislexia e mau leitor. Como saber a diferença que há entre o conceito de dislexia e dizer que uma criança é mau leitor?
A dislexia é uma síndrome de origem neurológica. Pode ser genética (desenvolvida) ou adquirida (depois de acidente vascular cerebral, a AVC). O disléxico é potencialmente um mau leitor, embora consiga ler. O disléxico lê, mas lê mal, sua leitura é lenta e sofrível. Só um especialista, a rigor, tem a competência técnica, em equipe multidisciplinar, juntamente com psicólogos e pediatras, afirmar se uma criança é ou não disléxica.
A dislexia é, pois, uma síndrome para atendimento médico, embora não se trate de uma doença. Para os educadores, o que inclui pedagogos, psicopedagogos e profissionais de ensino, dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de leitura ou mais precisamente o que entendemos por dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de leitura (DAL). Venho denominado de dislectogenia essa dislexia dita pedagógica.
Assim, poderíamos dizer que todo disléxico é realmente um mau leitor, mas nem todo mau leitor é disléxico. Uma má leitura não deve ser uma pista final para o reconhecimento do mau leitor, mas é uma pista preciosa para o diagnóstico do disléxico.
Nos meus estudos, tenho levantado a hipótese de um déficit linguístico para a dislexia, o que me levaria, ainda , por sua vez, a um tipo de dislexia ou dislectogenia, a pedagógica, responsável, no meu entender, pela maioria dos casos das chamadas dislexias, no meio escolar, resultado da dificuldade que o aluno tem, durante a leitura, de fazer a correspondência grafema-fonema, isto é, de entender que ler é um mistério, porque não consegue a correspondência adequada do grafema ou letra ao fonema ou som da fala.
É nesse caso, o pedagógico, que está, pois, o verdadeiro mau leitor, que deixa de fazer uma boa leitura porque aprendeu a ler mal, porque a metodologia de ensino de leitura (global ou sintético) foi mal aplicado.
Um exemplo bem típico de dislexia pedagógica ou linguística pode ser percebido partir desse relato de dificuldades do filho feito por sua mãe.
Relata-me a mãe o seguinte: tem um filho de 5 anos. Seu pai é músico . Conta-me que seu filho aprende com muita facilidade músicas até a parte instrumental, mas tem muita dificuldade em apreender a escrever seu próprio. Quando tenta escrever o nome, segundo a mãe, escreve o U virado pra baixo o S ao contrário e sua fala já apresenta também dificuldades de ser compreendida pela própria família.
Ainda no relato, diz a mãe que a criança, antes, falava correctamente e, agora, apresenta dificuldades de fala e também costuma usar as duas mãos para fazer as actividades escolares. Às vezes utiliza a mão esquerda; outras, a direita, e tem muita dificuldade de apreender coisas simples, e sente muita “preguiça” a maioria das vezes para cumprir os deveres escolares. Pelo que lemos do relato, observamos que os sintomas de dificuldades de aprendizagem de lectoescrita (leitura e escrita) são de diversas ordens: distúrbios de rotação grafémica (U virada para baixo e S ao contrário) e de fala (incompreensiva).
A dislexia pedagógica (ou linguística) acumula uma série de déficits que, claramente, afectam outras habilidades como fala, escrita e escuta. Aos 5 anos de idade, portanto, em processo de alfabetização, os métodos da escola parecem não atender às grandes expectativas dos pais quanto à alfabetização, o acesso ao código escrito, e ao letramento, isto é, aos usos sociais da escrita no quotidiano escolar.
Minha desconfiança, por exemplo, é que o método global tem favorecido o aumento de maus leitores.

Texto de Vicente Martins, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), de Sobral, Estado do Ceará, Brasil.

quinta-feira, março 02, 2006

Auto-hipnose na aprendizagem



Em termos de aprendizagem, podemos dizer que diferença fundamental entre o ser humano e os outros animais está na sua capacidade de "aprender continuadamente". É isso mesmo: o ser humano nasce para aprender.

Mesmo sem que percebamos, aprendemos continuadamente, do nascimento até o último dia de vida. Você não precisa estar na escola ou ler um livro para aprender; você aprende a cada informação que seus sentidos percebem, a cada imagem que seus olhos percebem, a cada som que seus ouvidos percebem, "mesmo que não queira aprender". Esta "capacidade de aprender" é inata e comum a todas as pessoas, sem distinção de raça, cor de pele, sexo ou classe social. O "milagre da inteligência" ocorre a cada instante, a cada piscar de olhos.

Nosso cérebro é anatômica e funcionalmente preparado para trabalhar sem parar até mesmo quando dormimos. Saiba que todas as informações que percebemos durante o dia são processadas nas primeiras horas do sono (quando muita gente pensa que o cérebro pára pra descansar) e aquelas informações que nos são mais interessantes, mais expressivas e mais necessárias são devidamente armazenadas na nossa memória. Por isso é que aprendemos, justamente, quando estamos dormindo.

Nosso cérebro também não tem limites para aprendizagem; cada um de nós, seja branco, negro, homem, mulher, alto, baixo, gordo, magro, possui uma "capacidade de aprender" ILIMITADA. Cada um de nós PODE APRENDER TUDO O QUE QUISER e QUANDO QUISER. Basta querer.

A maioria das dificuldades de aprendizagem está relacionada exatamente com o desconhecimento desta verdade (o stress do estudante é, quase sempre, decorrência deste desconhecimento). Muitos estudantes "pensam" que não podem e que não vão aprender, e este pensamento funciona como uma "ordem para a inteligência bloquear o raciocínio e a criatividade". Ora, isto também é uma informação, ou não é?

E, portanto, ela será admitida pelo cérebro como informação. Dizer ao cérebro que algo "é difícil" - e "aceitar" isso - também é uma aprendizagem; negativa, mas é. Se, em vez desta ordem, a pessoa afirmar (informar ao cérebro) que pode aprender, que vai aprender, com certeza aprenderá. O "fácil" e o "difícil" são conceitos relativos ao "tempo". Para uma criança de dois anos, contar de 1 a 100 é dificílimo, no entanto, aos sete anos, esta tarefa será extremamente fácil. Ocorre, entretanto, que o "tempo de duração de uma dificuldade" pode ser reduzido bastante quando a pessoa se dispõe a aprender.

Lozanov provou que isto é possível através da sua Sugestopedia. Assim sendo - e é importante gravar isto - saiba que você pode influenciar sua inteligência e criatividade com a sua vontade. Basta "informar" à inteligência sobre esta sua disposição em aprender e você de facto aprenderá.

Como melhorar a inteligência (a memória) e a criatividade?

Faça formulações positivas a respeito da sua capacidade intelectual. "Diga" permanentemente ao seu cérebro que você é muito inteligente e muito criativo (porque na realidade VOCÊ É ASSIM). Creia que seu cérebro não fará julgamentos subjectivos; ele "aceitará" estas informações como verdadeiras e trabalhará como tal. O software do pensamento criativo, do pensamento genial, está em TODOS OS CÉREBROS. Você só precisa activá-lo.

Os cérebros de Einstein, de Pasteur, de Edison, de Leonardo da Vinci, não eram diferentes do seu! A diferença fica apenas por conta da ousadia, da coragem e da convicção que eles tinham de que "poderiam sempre fazer melhor". Pois é a coragem, a ousadia e a convição que "activam" o intelecto. Em termos de inteligência, o cérebro obedece sempre a este mesmo princípio: "se você pensa que pode, ou pensa que não pode, em ambos os casos terá razão."

Portanto, é você quem decide. Ao se "dispor a ser mais inteligente e mais criativo" você estará "ordenando" que seu cérebro utilize o software da criatividade para gerar soluções. E assim acontecerá. Van Gogh não nasceu um pintor genial; ele "formou-se" genial. Victor Hugo também não nasceu escrevendo como um gênio; ele "aprendeu" a escrever como um gênio.

Faça um pequeno teste: diga a uma criança que ela é muito inteligente e observe como ela reagirá, "criando" coisas para "provar" essa inteligência. Muitas crianças, imediatamente, pegam sua caixa de lápis de cor nessa hora e começam a desenhar. Este é o "disparo" do pensamento criativo. E você pode provocar este "disparo" em você mesmo. O segredo é você repetir (assim como fazia quando aprendeu tabuada, lembra?), insistentemente, que você é muito inteligente, que é capaz de aprender tudo, que é muito criativo e que sempre tem idéias brilhantes. Repita isso - INSISTENTEMENTE - até que tais afirmações tomem o seu subconsciente e se traduzam em VERDADES. Lembre-se: "até mesmo uma mentira, se repetida continuadamente, torna-se verdade".