quarta-feira, abril 19, 2006

MANTEM O TEU CÉREBRO O.K.!!!


O cérebro humano é uma estrutura complexa. As suas funções são muito diversas e delas dependem a nossa capacidade para andar, ver, ouvir, perceber, pensar, criar, aprender, sonhar, tomar decisões, sentir e tantas outras actividades fundamentais para a nossa sobrevivência e evolução da inteligência.

A amplitude das capacidades do sistema cérebro/mente é tal que, por exemplo, só no que diz respeito à detecção de cheiros o cérebro utiliza mais de 5 milhões de células receptoras distribuídas pelo nariz, as quais conseguem distinguir mais de 10 mil odores diferentes!

É um sistema que trabalha 24 horas sobre 24 horas e pode manter-se activo 100 ou mais anos. Para termos uma ideia do que estamos a falar bastam alguns números:
- o cérebro é constituído por cerca de 100 mil milhões de diferentes tipos de neurónios e 10 vezes mais neuroglias (células de suporte e assessoria aos neurónios);
- cada neurónio pode receber de até 100 000 outros neurónios;
- pode processar 126 informações por segundo, ou seja, 7560 por minuto;
- até aos 70 anos de vida é capaz de processar um total de 185 mil milhões de dados;
- a capacidade de retenção de informações na memória ao longo da vida pode chegar ao equivalente a 20 milhões de livros de 500 páginas (seria preciso uma prateleira de mil quilómetros de comprimento para os acondicionar).

O cérebro é um órgão cuja vitalidade pode manter-se por muitas décadas e estar apto para aprender assuntos novos mesmo em idades chamadas "avançadas". Por exemplo, o famoso escritor russo Leão Tolstoi aprendeu a andar de bicicleta aos 67 anos e a rainha Vitória, de Inglaterra, começou a aprender a língua do Hindustão aos 68.

Incansável, trabalhador e resistente a múltiplas fontes de desgaste e stress é natural que o sistema cérebro/mente exija um grande suporte energético. São necessários nutrientes de vários tipos e certas actividades para o manter vigoroso e fiel.

Para poderes atingir a chamada Potência Cerebral/Mental Óptima recomendo:

1. Faz uma dieta com baixo teor de gordura (a gordura em excesso prejudica a circulação sanguínea no cérebro e produz radicais livres que desgastam prematuramente as células nervosas dificultando as funções cognitivas como a concentração, a memória e o raciocínio);

2. Alimenta-te de nutrientes vitais onde se destacam as vitaminas A (protege as membranas das células contra os radicais livres), B1,B6 e B12 (determinantes para a vitalidade dos neurónios), C (potente antioxidante que intervem na produção de inúmeros neurotransmissores, melhorando a função cognitiva) e a E (sendo um antioxidante protege as células do ataque dos radicais livres libertados pela alimentação), os minerais como o magnésio, o selénio e o zinco e os aminoácidos fenilalanina, glutamina, metionina, arginina e triptofano.

3. Aposta numa dieta com alguma restrição de calorias pois favorece a longevidade e a destreza mental, ou seja, não te empanturres de comida pois isso provoca obesidade.

4. Insiste numa dieta equilibrada onde estejam presentes todos os tipos de fibras, vegetais, frutas e proteínas não-animais juntamente com lacticínios desnatados e carne magra.

5. Toma suplementos vitamínicos aconselhados para crianças e jovens para compensar os desequilíbrios resultantes de refeições pobres e apressadas, sobretudo no Inverno e em épocas de maior exigência intelectual.

6. Respira bem através de uma postura correcta e de exercícios físicos tais como correr, caminhadas de pelo menos 30 minutos diários e desportos para manter a função cerebral activa, em especial os mecanismo implicados na memória.

7. Aprende a praticar neuróbica, ou seja, envolve-te em actividades regulares de activação dos sentidos, do pensamento, da criatividade e da inteligência para "muscular" o cérebro e revigorar a mente.

8. Ouve regularmente música neurológica, isto é, música instrumental ou coral cujo ritmo, andamento e harmonia atinja todos os níveis da consciência e do inconsciente a fim de repor o equilíbrio da energia psíquica (sugiro música New Age e outras como Chariots of Fire, de Vangelis, Symphony in C, de Bizet, Symphony Nº4, de Mahler, etc).

9. Aprende a entrar em "estado de fluxo", isto é, de profunda concentração e desfrute entregando-se a actividades prazerosas que lhe permitam perder a noção do tempo e do espaço.

10. Dorme o necessário para que o sistema cérebro/mente recupere da energia dispendida ao longo do dia e possa realizar determinadas funções de equilibração, nomeadamente a memória.

terça-feira, abril 18, 2006

COMO APRENDER A SABER MAIS

Aprender exige esforço, método e condições adequadas. Nem sempre os alunos levam em consideração alguns aspectos que estão relacionados com a forma como estudam e isso pode trazer resultados menos bons e desânimo devido ao insucesso.
Um leitor deste blogue enviou-me um texto adaptado de um original de Virgílio Vasconcelos Vilela que considero muito interessante e onde o autor sugere várias dicas para que a tarefa de estudar seja bem sucedida. O texto pode ser um pouco logo mas é muito útil e aconselho-te que o leias.

Tens então três etapas a vencer quando estás numa sessão de estudo. Essas três etapas são cruciais e deves segui-las com algum rigor. Vejamos.

Antes
1) Prepara o ambiente - quando decidires que é hora de estudar, antecipa o que vais precisar e deixa tudo à mão: livros, anotações, dicionário. Se usas computador, abre os arquivos que julgues necessários ou úteis. Se quiseres, pega também num copo d'água ou sumo. Outras opções são avisar a família do que vais fazer e desligar o telemóvel. O objectivo aqui é montar um ambiente que te permita o máximo possível de foco e concentração.

2) Activa a tua motivação - diz para ti mesmo para que serve o que vais fazer em seguida. Activa a lembrança dos motivos (teste, exame, TPC´s, etc). O que vais obter no final? E o que isso te trará? Imagina por um momento que já estás obtendo benefícios da tua dedicação.

3) Activa os teus conhecimentos - faz perguntas a ti mesmo sobre o assunto. O que já aprendi sobre isto? Que experiências e práticas já tive? Em que é que já usei este material ou parte dele? O quanto já progredi? O quanto sabia antes, e quanto sei agora? Não é preciso esforço, as perguntas já induzem a resposta, tu apenas ficas à espera do efeito.

4) Activa as tuas atitudes - de que maneira queres dedicar-te? Expressa as atitudes que gostarias de manter durante a sessão de estudo. Sugestões: "estar concentrado", "focar o melhor possível no objectivo", "desligar-me de tudo que não estiver relacionado", "com interesse", "com a maior objectividade".

Durante
5) Define a tua intenção imediata - declara verbal ou mentalmente o que pretendes para o próximo segmento de estudo. Nem sempre é possível ser muito específico, faz o melhor possível. Vais estudar um capítulo? Praticar uma sequência? Decide quanto tempo irás dedicar minimamente (depois podes tomar outra decisão). Para esta etapa, podes consultar os teus PPPs (próximos pequenos passos) definidos na sessão prévia (ver abaixo a secção Depois). Ajusta-os se for o caso, para incorporares novas e melhores idéias.

6) Descomprime - de vez em quando relaxa o corpo ou partes dele o quanto for possível. Como está a tua testa agora? E teus ombros? (estas zonas ficam muito tensas quando andamos com stress).

7) Faz pausas - após algum tempo de dedicação, faz uma pausa com a intenção de permitir o teu cérebro a absorção e a incorporação do novo material. Enquanto isso, descansas. Uma pesquisa mostrou que a aprendizagem é maior no início e no final de um período delimitado de dedicação (D. Gordon e J. Vos, em Revolucionando o Aprendizado, da editora Makron).

8) Interrupções - por mais que não queiramos, podem ocorrer interrupções. Se isso te ocorrer, após decidir verificar e antes de desviar-te, regista o ponto de retorno, o que farás quando voltares. Pode ser um capítulo, um exercício, um movimento. O registo pode ser tão simples quanto um lápis na página correcta, uma anotação ou uma imagem mental.

Depois
9) Verifica o progresso - avalia o rendimento da sessão. Se usaste alguma das estratégias sugeridas, vê se dá para saber se foi útil ou não, se vais praticar uma outra vez para avaliar melhor. Se concluires que não progrediste muito, é um momento de reavaliar as estratégias de aprendizagem, e talvez decidires fazer mudanças, talvez pesquisar um pouco sobre o que existe que talvez não conheças.

10) PPPs - define e regista os Próximos Pequenos Passos a serem dados no assunto. Estes têm uma importância especial: definir PPPs é garantir que tu podes desligar-te do assunto tranquilamente; se esqueceres, já tens as ligações para retomar do ponto onde paraste.

11) Reconhece- separa um minuto para fazeres o auto-reconhecimento: procura algo de bom no que fizeste, como teres-te dedicado, teres aprendido um pouco mais, estares mais próximo do objectivo, teres tido disciplina, o que quer que encontres de bom e positivo. Para cada um, procura o prazer e a satisfação que te proporciona. Usufrui, isto é, dedica-te a ficares sentindo cada prazer ou emoção prazerosa por alguns segundos.

12) Guarda as coisas - no final, volta ao ambiente anterior, guardando materiais, fechando programas e limpando eventuais resíduos da actividade. O objectivo aqui é mais do que organização: assim estás enviando uma mensagem ao teu cérebro de que a sessão está encerrada, que vais fazer outra coisa e queres concentrar-te devidamente nessa outra coisa, seja o que for.

13) Faz uma transição adequada - quando nos dedicamos com intensidade a algo, há a possibilidade de que representações mentais e até emoções fiquem activas, independentemente da nossa vontade, mesmo quando queremos fazer outra coisa. Assim, antes de fazer essa outra coisa, e se julgares necessário, executa algumas acções para mudares de "atmosfera". Em geral são coisas agradáveis: tomar um banho, lanchar, até beber algo bom pode funcionar. Também pode ser uma actividade física, como exercícios, alongamentos e caminhadas, ou deitares-te por alguns minutos e simplesmente relaxar. O importante é achares algo que funcione para mudar o "clima", no máximo alguns minutos.